29 Séries que Todo Estudante de Psicologia Deve Assistir

29 Séries que Todo Estudante de Psicologia Deve Assistir

A psicologia é a ciência que busca compreender a complexidade da mente e do comportamento humano em suas diversas manifestações, seja no contexto clínico, social ou até mesmo organizacional. Para além dos livros didáticos e das pesquisas acadêmicas, as séries de televisão oferecem um laboratório visual e narrativo fascinante, capaz de ilustrar conceitos teóricos, dilemas éticos e a dinâmica das relações interpessoais de maneiras que a leitura, por vezes, não alcança.
Assistir a essas produções não é apenas um passatempo, mas uma forma de aprendizado ativo. Elas nos permitem observar quadros clínicos, processos de avaliação psicológica e o desenvolvimento de personagens complexos, estimulando o pensamento crítico e a empatia. 
 
Categoria 1: O Processo Terapêutico e a Prática Clínica
O consultório é o coração da psicologia clínica. Estas séries oferecem vislumbres íntimos da relação terapêutica e dos desafios enfrentados por profissionais e pacientes.
 
1. Sessão de Terapia (Brasil, 2012-2021)
Baseada na aclamada série israelense BeTipul e com uma versão americana conhecida como In Treatment, a versão brasileira dirigida por Selton Mello é uma joia rara para estudantes. A trama se desenrola quase inteiramente dentro do consultório do terapeuta Théo (Zé Carlos Machado/Selton Mello).
Por que assistir: Cada episódio é uma sessão. A série é um manual prático de como conduzir uma sessão, a importância da escuta ativa, o manejo da transferência e contratransferência, e os dilemas éticos do terapeuta. Acompanhamos pacientes com histórias variadas, desde ansiedade e depressão até questões de luto e relacionamentos, e, em um quinto episódio semanal, o próprio terapeuta se consulta com sua supervisora. É fundamental para entender a profundidade e a complexidade do setting terapêutico.
 
2. In Treatment (EUA, 2008-2021)
A versão original americana, estrelada por Gabriel Byrne, é talvez a mais conhecida internacionalmente. Segue o mesmo formato da brasileira, oferecendo uma perspectiva cultural diferente sobre o processo terapêutico.
Por que assistir: Além de ser um estudo de caso sobre diferentes abordagens, a série se aprofunda nos conflitos pessoais do terapeuta, Paul Weston. Isso humaniza a figura do profissional, lembrando aos estudantes que psicólogos também têm vulnerabilidades e precisam de seus próprios espaços de cuidado. A importância da supervisão e do autocuidado é um tema central, algo crucial para a saúde mental no trabalho.
 
3. Web Therapy (EUA, 2011-2015)
Com um tom mais satírico, esta comédia é estrelada por Lisa Kudrow como Fiona Wallice, uma terapeuta que inventa uma nova modalidade de terapia online: sessões curtas de três minutos via webcam.
Por que assistir: Embora seja uma paródia, a série aborda, de forma cômica, a ética profissional e o uso (e abuso) das novas tecnologias na clínica. É um estudo interessante sobre o que não fazer na prática clínica, destacando a importância do setting adequado, do tempo necessário para o paciente e da postura profissional.
 
4. The Sopranos (EUA, 1999-2007)
Esta aclamada série da HBO é um marco por humanizar um chefe da máfia, Tony Soprano, que busca terapia para lidar com ataques de pânico e depressão.
Por que assistir: É um estudo de caso brilhante sobre a resistência do paciente e a relação médico-paciente com um indivíduo complexo e antiético. A Dra. Jennifer Melfi navega por dilemas éticos extremos, como o sigilo profissional diante de crimes hediondos. A série expõe a luta interna de um paciente em mudar comportamentos arraigados e a dificuldade do terapeuta em manter a neutralidade e o distanciamento profissional.
 
5. Gypsy (EUA, 2017)
Estrelada por Naomi Watts, a série segue uma terapeuta que começa a se envolver de forma perigosa e antiética na vida pessoal de seus pacientes, cruzando fronteiras profissionais de maneira desastrosa.
Por que assistir: Um alerta dramático sobre a ética profissional e a manutenção de limites (boundaries). É um exemplo extremo das consequências de não se respeitar o código de ética da profissão, ilustrando a importância da gestão de pessoas no contexto de trabalho e, neste caso, o autogerenciamento do profissional.
 
Categoria 2: Transtornos Mentais e Neurodiversidade
Estas séries colocam luz sobre condições psicológicas específicas, ajudando a desmistificar estigmas e a ilustrar sintomas e desafios vividos por pessoas neuroatípicas ou com transtornos mentais.
 
6. Atypical (EUA, 2017-2021)
Uma série emocionante e leve sobre Sam Gardner, um jovem adulto no espectro do autismo, e sua família enquanto ele busca independência, amor e compreende o mundo social.
Por que assistir: Oferece uma representação sensível e multifacetada do espectro autista. É excelente para entender como o TEA (Transtorno do Espectro Autista) afeta não apenas o indivíduo, mas toda a dinâmica familiar. A série aborda a busca por autonomia e a complexidade das interações sociais, sendo um recurso valioso para a psicologia organizacional ao discutir inclusão e diversidade no ambiente de trabalho (especialmente na última temporada, quando Sam entra na faculdade).
 
7. 13 Reasons Why (EUA, 2017-2020)
A série, embora controversa por sua representação gráfica do suicídio e automutilação, gerou um debate global sobre saúde mental, bullying e a importância de falar sobre o sofrimento.
Por que assistir: É um ponto de partida crucial para discussões sobre prevenção ao suicídio, a banalização do sofrimento e o impacto das ações (ou omissões) na vida dos outros. Acompanhar a jornada dos personagens permite analisar temas como trauma, ansiedade, depressão e a necessidade urgente de apoio psicológico, destacando a relevância de se nutrir a saúde mental no trabalho e na escola.
 
8. Maniac (EUA, 2018)
Esta minissérie de ficção científica e drama segue dois estranhos que participam de um misterioso teste farmacêutico que dá errado. A trama explora a mente dos personagens, seus traumas passados e a forma como tentam processar suas dores.
Por que assistir: É visualmente criativa na sua representação de como a mente lida com o trauma. Aborda temas como esquizofrenia, depressão, luto e a busca por conexão humana. É um exercício de análise sobre diferentes mecanismos de defesa e como o cérebro pode criar realidades alternativas para proteção.
 
9. Euphoria (EUA, 2019-presente)
Uma série crua e estilizada que segue um grupo de estudantes do ensino médio lidando com questões complexas como vício em drogas, identidade de gênero, trauma, sexualidade, ansiedade e depressão.
Por que assistir: Euphoria é um estudo visceral da psicologia do adolescente moderno. Permite a análise profunda dos efeitos do vício (especialmente com a protagonista Rue, interpretada por Zendaya), a busca por identidade e pertencimento. A forma como a série aborda o impacto das redes sociais na saúde mental é particularmente relevante.
 
10. BoJack Horseman (EUA, 2014-2020)
Apesar de ser uma animação com personagens meio humanos, meio animais, esta é uma das representações mais honestas e dolorosas da depressão, do vício e do comportamento autodestrutivo na cultura pop.
Por que assistir: A série é um excelente recurso para entender a complexidade da depressão crônica, a busca por validação externa e a dificuldade de mudar padrões de comportamento arraigados. É um estudo profundo sobre narcisismo, autoaversão e a natureza dos relacionamentos tóxicos.
 
Categoria 3: Comportamento Humano e Psicologia Social
A psicologia não se limita ao indivíduo isolado. Estas séries exploram a interação humana, a dinâmica de grupo e o impacto do contexto social e cultural na formação da identidade.
 
11. Black Mirror (Reino Unido, 2011-presente)
Cada episódio desta série antológica é uma história independente que explora as consequências imprevistas da tecnologia moderna na sociedade e no comportamento humano.
Por que assistir: É uma ferramenta espetacular para a psicologia social e a ética. Os episódios são estudos de caso sobre a influência da tecnologia na autoimagem, nas relações sociais, na memória e na moralidade. A série força o espectador a refletir sobre o que nos torna humanos e como nossas interações são moldadas por ferramentas digitais.
 
12. Mindhunter (EUA, 2017-2019)
Baseada em fatos reais, a série segue dois agentes do FBI que, no final dos anos 70, começam a entrevistar serial killers presos para entender sua psicologia e desenvolver perfis criminais (profiling).
Por que assistir: É um mergulho fascinante na psicologia criminal e forense. Os diálogos com os assassinos são aulas de entrevista, observação e análise do comportamento desviante. A série permite a análise das teorias de desenvolvimento do comportamento antissocial e psicopatia, e como a psicologia está transformando o RH (neste caso, as técnicas de investigação e seleção de pessoas) através da compreensão do comportamento.
 
13. Lie to Me (EUA, 2009-2011)
Inspirada no trabalho do psicólogo Paul Ekman, a série segue o Dr. Cal Lightman, um especialista em detectar mentiras através de microexpressões faciais e linguagem corporal.
Por que assistir: Embora a série tenha licenças poéticas e "maquiagem" dramática, ela introduz conceitos reais da psicologia da comunicação não verbal e da detecção de mentiras. É um ótimo ponto de partida para discutir a validade científica dessas técnicas e a importância da observação no trabalho do psicólogo.
 
14. The Handmaid's Tale (EUA, 2017-presente)
Em uma distopia teocrática, as mulheres férteis são forçadas a servir como aias. A série é um estudo aprofundado do trauma coletivo e individual, e dos mecanismos de sobrevivência em um regime opressor.
Por que assistir: É um estudo poderoso de psicologia social, trauma, resiliência e controle coercitivo. Acompanhamos os efeitos psicológicos da opressão, a lavagem cerebral, a formação de identidades em contextos extremos e a força da esperança e da resistência.
 
15. Breaking Bad (EUA, 2008-2013)
A jornada de Walter White, um professor de química que se transforma em um chefão do tráfico de drogas após um diagnóstico de câncer, é um arco narrativo de transformação de caráter.
Por que assistir: A série é um estudo de caso magistral sobre a progressão da personalidade antissocial e o narcisismo. Analisar a evolução do desempenho (negativo) de Walter White é um exercício fascinante para entender como a moralidade pode ser corrompida por circunstâncias e escolhas.
 
16. This is Us (EUA, 2016-2022)
Um drama familiar que acompanha a vida de irmãos trigêmeos e seus pais em diferentes linhas do tempo, explorando como os eventos da infância moldam a vida adulta.
Por que assistir: É excelente para a psicologia do desenvolvimento e a terapia familiar. A série aborda, com muita sensibilidade, temas como luto, adoção, gordofobia, racismo, ansiedade e vícios, mostrando como os problemas familiares podem ser trabalhados para o crescimento individual e coletivo.
 
Categoria 4: Documentários e Séries Explicativas
Para uma abordagem mais direta e factual, estas produções oferecem insights baseados em neurociência e psicologia cognitiva.
 
17. Explicando: A Mente (EUA, 2019)
Esta série documental da Netflix, produzida em parceria com a Vox, explora o funcionamento interno do cérebro humano em episódios curtos e informativos.
Por que assistir: Aborda tópicos como ansiedade, sonhos, memória e o uso de psicodélicos, utilizando bases da neurociência e da psicologia cognitiva. É um excelente complemento para disciplinas de base biológica da psicologia.
 
Categoria 5: Dilemas Éticos e Justiça
Estas séries exploram o limite tênue entre a lei, a moralidade e a mente criminosa.
 
18. Criminal Minds (EUA, 2005-2020)
A série segue uma equipe de profilers do FBI que analisa o comportamento de criminosos para prever seus próximos passos e capturá-los.
Por que assistir: Embora dramatizada, a série introduz a linguagem do profiling criminal e discute diferentes tipos de transtornos de personalidade e motivações para o crime. É um recurso para estudantes interessados em psicologia forense, permitindo a análise crítica das técnicas apresentadas.
 
19. The Sinner (EUA, 2017-2021)
Cada temporada desta série antológica começa com um crime chocante e aparentemente inexplicável. O detetive Bill Pullman tenta desvendar o "porquê" por trás dos atos, mergulhando na psique dos criminosos.
Por que assistir: A série foca intensamente nos mecanismos de defesa, na memória reprimida e no trauma. É um estudo de caso sobre como o passado e os traumas não resolvidos podem levar a atos extremos no presente.
 
20. Better Call Saul (EUA, 2015-2022)
spin-off de Breaking Bad segue a transformação de Jimmy McGill em Saul Goodman, o advogado criminal sem ética que conhecemos na série original.
Por que assistir: Um estudo de personagem aprofundado sobre a ética profissional e o desenvolvimento profissional (neste caso, para o lado antiético). Acompanhar a degradação moral de Jimmy é um exercício de análise sobre os fatores que levam um indivíduo a comprometer seus valores.
 
Categoria 6: O Ambiente de Trabalho e a Psicologia Organizacional
A psicologia no ambiente corporativo é uma área crescente. Estas séries, algumas cômicas, outras dramáticas, ilustram a dinâmica de equipe, liderança e clima organizacional.
 
21. The Office (EUA, 2005-2013)
Um mockumentary que segue o cotidiano de funcionários de uma empresa de papel.
Por que assistir: É um laboratório de clima organizacional disfuncional. O chefe, Michael Scott, é um exemplo clássico de um líder com baixa inteligência emocional. A série permite a análise de dinâmicas de equipe, motivação e liderança (ou a falta dela). É útil para entender, por contraste, as melhores práticas de gestão de pessoas.
 
22. Severance (EUA, 2022-presente)
Nesta série de ficção científica e suspense, funcionários de uma empresa têm suas memórias de trabalho e vida pessoal cirurgicamente separadas.
Por que assistir: Um estudo fascinante sobre identidade, ética corporativa e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Aborda o conceito de saúde mental no trabalho e até que ponto o trabalho pode (ou deve) invadir a vida de um indivíduo. É uma ótima discussão sobre o futuro do trabalho e a resiliência no trabalho.
 
23. Mad Men (EUA, 2007-2015)
A série acompanha a vida de publicitários na Nova York dos anos 60, com foco no protagonista Don Draper e seus inúmeros conflitos internos e externos.
Por que assistir: É um retrato cultural e social profundo que permite a análise do narcisismo, do alcoolismo, da misoginia e das mudanças sociais da época. É um estudo de personagem complexo e uma forma de entender a psicologia por trás do consumo e da publicidade.
 
24. Suits (EUA, 2011-2019)
Apesar de ser um drama jurídico, a interação entre os personagens no escritório de advocacia é um prato cheio para a psicologia organizacional.
Por que assistir: A série é útil para analisar negociação, comunicação assertiva, resolução de conflitos e a dinâmica de poder. Observar a gestão de talentos e a competitividade extrema pode ajudar a entender diferentes culturas organizacionais.
 
Categoria 7: Narrativas Complexas e a Mente Humana
Estas séries desafiam a percepção da realidade e a própria estrutura da mente.
 
25. Mr. Robot (EUA, 2015-2019)
A série segue Elliot, um engenheiro de segurança cibernética e hacker com ansiedade social e transtorno dissociativo de identidade.
Por que assistir: Uma representação intensa e, em muitos aspectos, realista, da ansiedade, da depressão e do transtorno dissociativo. A narrativa em primeira pessoa permite ao espectador uma imersão na mente de Elliot, sendo um recurso poderoso para entender essas condições de dentro para fora.
 
26. Sense8 (EUA, 2015-2018)
Oito estranhos ao redor do mundo descobrem que estão mentalmente e emocionalmente conectados, podendo compartilhar conhecimentos, habilidades e experiências.
Por que assistir: Uma série brilhante para a psicologia social, cognitiva e do desenvolvimento. Explora a empatia em um nível literal, a formação da identidade de gênero e sexual, e a capacidade humana de conexão e cooperação, mesmo diante de diferenças culturais extremas.
 
27. Homeland (EUA, 2011-2020)
A série foca na agente da CIA Carrie Mathison, uma brilhante, mas volátil, oficial de inteligência com transtorno bipolar.
Por que assistir: Uma das melhores representações da bipolaridade na televisão. A série não estigmatiza a condição, mas mostra como ela afeta a vida profissional e pessoal da protagonista. É um recurso valioso para entender os sintomas de mania e depressão e a importância do tratamento contínuo.
 
28. Barry (EUA, 2018-presente)
Barry é um assassino de aluguel que encontra um novo propósito na vida ao entrar em uma aula de teatro. A série mistura comédia e drama sombrio.
Por que assistir: Um estudo de personagem fascinante sobre a sociopatia, a busca por redenção e a dificuldade de escapar de um passado violento. A interação de Barry com seu terapeuta (que ele ameaça) levanta, novamente, questões éticas complexas e a análise da motivação humana para a mudança.
 
29. Orange is the New Black (EUA, 2013-2019)
Embora seja um drama sobre a vida em uma prisão feminina, a série é um microcosmo social profundo.
Por que assistir: Permite a análise da psicologia do encarceramento, a formação de grupos, dinâmicas de poder, trauma e resiliência em um ambiente institucional. É um excelente recurso para a psicologia social e comunitária, ilustrando como o ambiente extremo molda o comportamento e a saúde mental das detentas.
 
O estudo da psicologia é uma jornada contínua de aprendizado sobre o ser humano e suas complexidades. As séries listadas acima são mais do que entretenimento; são ferramentas didáticas que oferecem a oportunidade de analisar, discutir e aprofundar a compreensão de conceitos teóricos em contextos narrativos ricos e envolventes.
Seja analisando a psicologia organizacional em The Office ou os traumas em The Sinner, o estudante de psicologia pode aprimorar sua capacidade de observação e empatia. A JPeF Consultoria entende a importância do desenvolvimento contínuo e da aplicação prática do conhecimento, e essas séries são um complemento visual e instigante para a formação de futuros profissionais da área. Priorizar o desenvolvimento profissional através de diferentes mídias é uma estratégia inteligente para se tornar um psicólogo mais completo e preparado para a complexidade do mundo real.

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